Oi gente,
Meu último post acho que pegou todos de surpresa, com meu retorno ao Brasil né? Depois do post, além dos comentários, recebi e-mails de várias pessoas me perguntando os motivos de minha volta, quando na verdade muita gente faz o caminho inverso: sai do Brasil e vai para o Canadá. Nos últimos anos vivendo no Canadá, tentei passar para vocês informações do meu dia-a-dia no Canadá, e o blog ainda continua sendo referência para quem quer viver no Canadá.
Porém, antes de mais nada, queria falar para vocês que os motivos são pessoais, e variam de pessoa para pessoa. Por favor, não tomem meu exemplo como regra para os candidatos a imigração para o Canadá. O meu caso pode ser uma exceção! Mas é meu ponto de vista concorda? E o que gostaria de falar aqui é exatamente isso: a minha visão. Continuo tendo um elo muito grande com o Canadá, principalmente pelos últimos anos lá vividos, e pelas amizades criadas. O blog me trouxe isso de bom: a possibilidade de ter uma imensidão de colegas, vindos de várias partes do Brasil, e que no meu retorno de certa forma acabaram me auxiliando!
Mas respondendo a pergunta que não quer calar: por que você voltou ao Brasil? A resposta é simples: eu não estava feliz com a vida que eu estava levando! E isso gente, é algo muito pessoal, e somente cada pessoa sabe de si mesma, concorda? Nestes momentos, o “ser feliz” varia bastante, vai de encontro aquilo que você busca como ser humano, como pessoa, leva em consideração status social, família, amigos, novos desafios, etc. Quais são os seus desafios?
Os meus, de certa forma eu já havia alcançado. Havia chegado há 7 anos, em 2003, numa realidade totalmente diferente da encontrada hoje. Aprendi muito com tudo o que vivi, através do voluntariado, do respeito ao outro, de viver numa sociedade heterogênea, falando uma outra língua, convivendo com pessoas de várias partes do mundo, estudando, sonhando, tendo acesso a uma variedade de coisas que só quem vive fora encontra. Mas ter tudo isso é suficiente?
Para mim, não. Me faltava algo.. Meu pai tinha falecido em Outubro, e antes dele partir para ser feliz, ele me perguntou quando eu voltava… e eu disse que em breve… Outros fatores também contribuíram para a volta, mas de ordem pessoal e que não vêm ao caso. Mas se você me pergunta se a decisão foi difícil, eu diria que não. E novamente, vai depender de muita coisa.
No meu caso, ter status de imigrante, viver fora do Brasil, noutra cultura, convivendo com outras pessoas não me tornam uma pessoa melhor ou pior. Eu busco, eu procuro valores – valores estes que estão acima de qualquer status social – isso para mim é besteira! Só quero ser e estar feliz – isso para mim importa. Sair pela manhã para o trabalho, não me preocupar com assalto, passar o dia trabalhando, conversando com outros colegas em outra língua, ficar sorrindo feito abestado de piadas que eu não entendia, falando de personagens que para eles foram importantes na infância – mas que não faziam sentido algum para mim, e ao final do dia voltar para casa, chegar à noite, entrar na Internet, conversar com colegas que estão no Brasil, ligar para minha família, depois dormir e no outro dia começar tudo de novo é pouco para mim. Só pra dizer que eu moro no Canadá? Meus sobrinhos nem pelo meu nome me conheciam – me chamava de tio do Canadá. E isso para mim é importante, entende?
Quando falei da minha intenção de voltar para outros colegas – muitos deles (senão a maioria….) me chamavam de louco, de maluco. Mas eles tinham chegado há bem menos tempo que eu, ainda estavam encantados com o país, coisa que eu já tinha vivido – e eles não. Disseram que São Paulo era uma cidade perigosa – e eu sei que é.. Mas eu também acho que para ser assaltado, se tiver de acontecer, vai acontecer – esteja você onde estiver. Tenho exemplos de pessoas (brasileiros) que foram assaltadas morando no Canadá e que nunca foram no Brasil. Mas aí chegar e falar que foram assaltadas, vai “ferir” a imagem deles, por achar que isso não acontece no Canadá. Oxe, desde quando o país é perfeito? Tem que ter cuidado sim, esteja você onde estiver.
Mas e aí, qual é o parâmetro? :) Muita coisa que acontece por lá não é falada e por um motivo simples – o pessoal quer apresentar, mostrar outra realidade – só a dos sonhos – e ela não existe. Problemas com emprego, a dificuldade de encontrá-lo, de não levar o mesmo padrão de vida, dificuldade com a educação dos filhos, de não falar a língua, isso acontece sim, e muito!!! Se vão falar ou não, aí depende da cada um. Faça uma análise dos blogs que tratam do país, a frequência com que as pessoas falam, o que estão fazendo, o que fizeram, e tirem suas conclusões. Mas não tomem também apenas meu exemplo, ele reflete aquilo que vivi! A diversidade é boa para isso, certo?
E essa minha imparcialidade é algo que eu não quero deixar de lado. Como sempre, vou falar aqui o que eu realmente acho – o que eu realmente sinto. Afinal, é apenas a minha opinião né? Hoje já estou trabalhando, fazendo algo que realmente amo e me faz muito feliz – e isso sim, é importante para mim! Depois eu volto e falo de todo o processo da chegada, até a busca do emprego tá?
Tudo de bom, sempre!
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