E agora, o que fazer?

by Gean Oliveira on November 13, 2009 · 15 comments

Hoje é Sexta-feira 13, e me deu vontade de escrever. Você deve ter notado que a quantidade de posts diminuiu nos últimos meses, por vários motivos. Tanta coisa aconteceu e continua acontecendo nesse ano de 2009 que eu de certa forma estou torcendo para o ano acabar. Não apenas coisas ruins, coisas boas também fazem parte do ano, mas este foi (e está sendo) desafiador.

Já tinha comentado com vocês da doença de meu pai né? Há duas semanas atrás eu estava na empresa trabalhando quando recebi uma ligação de Fortaleza e, quando essas ligações aparecem, você pode ter idéia do que está acontecendo. E acabou se concretizando o que eu de certa forma já esperava – o falecimento de meu pai.

Por mais que se espere, quando você sabe que aquilo se concretiza, dói muito, mas ao mesmo tempo alivia. É engraçada essa sensação que eu vivi. Saí da empresa, fui pra casa e na mesma noite viajamos para o Brasil. Chegamos lá na Sexta-feira à noite, só mesmo tomei banho e fomos para o funeral. O sepultamento aconteceu no Sábado pela manhã.

Eu de certa forma me sinto aliviado… Consigo lidar bem com a situação e o que me doía era a minha impotência em não poder fazer nada sabe? Agora, mesmo com a perda material e a saudade, meu pai sempre continua presente em minha vida.

Ao final da missa de sétimo-dia, eu fui falar aos familiares e amigos. Não tinha preparado nada escrito, apenas comentei aquilo que sentia e, a mais importante palavra que achei foi egoísmo. Egoísmo? Sim, egoísmo. Seria egoísmo de minha parte querer meu pai vivo e sofrendo na terra. Era muito doloroso para ele e também para nós. Agora, o sentimento é o do dever cumprido. Por saber que a missão dele foi completa, de saber que existe sim um Deus em nossas vidas e que precisamos aprender a lidar com essa situação da morte.

Isso não me impede de chorar, de sentir falta, de conversar, de apreciar tudo o que me foi passado. A lição mais importante que fica é a educação, do respeito,  em eu ter dito a meu pai enquanto ele estava vivo o quanto ele era importante, o quanto eu o admirava, o quanto eu o amava. Pude, felizmente, fazer tudo isso. E por tê-lo feito, me sinto também aliviado.

E isso faz uma diferença enorme. Que você tenha a oportunidade de falar para seus familiares o quanto os ama, os admira – e não deixe para depois. É bom pro nosso ego, é bom pro nosso bem-estar físico e emocional.

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Como vocês sabem, moro em Toronto desde 2003 e quando cheguei procurei auxílio em diversas instituições de apoio a imigrantes espalhadas pela cidade. Como o emprego não vinha, o voluntariado era uma das formas que eu tinha para criar uma rede de contatos.

Fiquei então conhecendo o serviço prestado pelo Centro de Informação Comunitária Brasil Angola. Não hesitei e fui lá conhecer o serviço do Centro – me apaixonei e dessa paixão me tornei voluntário. No início tomava conta do website mas com o passar dos meses, conquistei um pouco mais de espaço e através da experiência adquirida como imigrante, passei também a prestar auxílio às pessoas que chegavam a Toronto, também em busca de auxílio.

E os anos se passaram, períodos sempre difíceis em que o Centro se mantinha – e até hoje se mantém contando apenas com a ajuda de voluntários, sem receber incentivo nenhum dos governos, seja ele de escala federal, provincial ou municipal. Depois fui convidado a ser membro do Board of Directors. Participei da diretoria e pedi para sair da mesma este ano.

Este período de voluntariado me fez crescer como pessoa, me fez pensar de forma diferente e de entender mais que o sofrimento que eu tenho (ou tinha) muitas vezes não se compara ao de outras pessoas, a partir do momento que você conhece a delas. Conheci muita, muita gente mesmo e talvez eu seja também conhecido na comunidade exatamente pelo fato de fazer parte do Centro.

E este ano também, após mais de 5 anos como voluntário do Centro, resolvi que era hora de sair. Estou sem tempo para me dedicar como sempre o fiz. Os problemas de saúde na família, juntamente com as viagens ao Brasil e também aliados aos estudos me fizeram tomar essa decisão.

Foram momentos marcantes, inesquecíveis e de amizades que nasceram por lá que continuam até hoje, felizmente. É bom sair assim, com a cabeça erguida e sabedor do dever cumprido né? Boa sorte aos amigos que ainda fazem parte do Centro, que dedicam sua sexta-feira para auxiliar a quem precisa.

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