Estava vendo no calendário que em 3 semanas vamos completar 5 anos que moramos no Canadá. Se voltar um pouco ao tempo e for analisar o que tínhamos lá para o que temos aqui valeu muito a pena todo o sofrimento inicial. Mais para frente eu preparo um post e faço uma avaliação mais minunciosa de todo o investimento que fizemos, o que lucramos e para onde vamos. Posso ao menos te contar um dos pontos positivos que o Canadá me deu de presente: pensar no futuro! Deixe-me explicar…
Digamos que eu não estivesse morando no Canadá. Eu estaria no Brasil, possivelmente trabalhando na mesma empresa, com um salário razoável e satisfeito. Tinha a nossa família, amigos, a praia, nossos móveis, imóveis, etc. Porém eu não tinha um planejamento para o futuro do que fazer quando me aposentasse. Iria continuar confiando na empresa, com as contribuições para o meu FGTS e eu não faria nada – nem mesmo tinha pensado sobre uma pensão auxiliar.
Porém, ao vir morar no Canadá, muita coisa mudou. Dentre elas a forma de ver as coisas com outros olhos e analisar o futuro de uma outra forma, mais racional, direta, objetiva, crítica. Uma delas diz respeito ao aprendizado: da língua, da cultura, de você mesmo como pessoa e não podia deixar de ser, aprendizado financeiro. Isso eu confesso que não tinha no Brasil. O que me abriu os olhos para isso foi o valor que ia receber ao aposentar-me no Canadá, o tão conhecido CPP (Canadian Pension Plan). É muito baixo.
Agora a ficha caiu, e me vejo cercado de livros, anotações, revistas, blogs e tudo mais que você possa imaginar para recuperar o tempo perdido. Perdido? Sim, perdido. Se eu soubesse o pouco que sei sobre investimentos hoje quando morava no Brasil, não estaria rico, mas estaria com um plano traçado. Tomo como base meu pai, que ainda hoje com seus mais de 65 anos continua trabalhando. Até poderia ter parado, mas segundo ele o dinheiro não dá. Eu sei que dá, mas o negócio dele é ter que ficar em casa sem fazer nada. :) Deve ser complicada essa situação né? Tipo jogador de futebol que pára de jogar. Fica perdido, sem saber o que fazer nem para onde ir. Simplesmente por falta de um plano!
Só que eu não quero o mesmo para minha família. Quero viver a vida intensamente e para que isso ocorra preciso traçar objetivos – podem ser concretos ou não, porém sendo sincero consigo mesmo você ao menos tentou e teve uma meta a cumprir. Precisa agora fazer por onde chegar a seu objetivo. Mas como? Acho que para imigrante é mais difícil ainda. Vejamos os motivos:
- Após morar vários anos fora do Brasil, onde vou me aposentar? No Brasil? No Canadá?
- Os investimentos que fiz, como os mesmos são vistos aos olhos do leão (Brasil)? e do taxman (Canadá)?
- Os meus filhos. Será que eles vão voltar para o Brasil? Ou vão construir família e viver aqui?
- Para onde vou querer ter viajado? Caribe? Europa? Conhecer mais o Brasil? Conhecer, finalmente, o Canadá?
- Quanto em dinheiro vou precisar para viver confortavelmente? Você sabe ao menos quanto acha que precisa ganhar e investir para viver no futuro?
Estes são cinco pontos que martelam minha cabeça. E para eles, preciso ter algo escrito, algo que possa olhar todo dia e saber que estou mais perto ou mais longe da nossa independência. Seja ela qual for. Será que você já pensou nisso também? O nosso está sendo escrito. Já perdi as contas de quantas vezes escrevi e apaguei o que desejo. Mas aos poucos eles vão se definindo e nesse meio tempo vamos nos planejando! Você já tem seu plano traçado?
Você gostou deste artigo? Aproveite e faça seu cadastro para não perder as novidades através de seu E-mail ou RSS Reader!
{ 6 comments… read them below or add one }
pois é Gean, isso tudo martela a minha cabeça sim 24 horas por dia, principalmente porque no Brasil eu já era uma pessoa muito planejada e disciplinada. Aí que mora o problema no meu caso, com a imigração realmente acontece tudo isso que você falou e como ficamos muito mais expostos à intempéries e mudanças bruscas fica mais difícil planejar qualquer coisa (ao menos nos 3 primeiros anos e eu ainda estou na metade deste periodo) e você vai sendo levado muito pelo que “precisa” ser feito e não necessariamente o que você “quer” fazer, coisa que já não acontecia mais no Brasil como vc tão bem descreveu!
E quando eu digo que imigrar é uma evolução espiritual gigante estou falando disso, você ir se se adaptando de acordo com as novas necessidades de imigrante que – no meu caso- é a ânsia de voltar a ter um plano de vida novamente que eu controle mais, mas eu sei que lá na frente depois dos mesmos 5 anos que vc já está aqui vou poder fazer isso. Por enquanto é mais mesmo o lema do Zeca Pagodinho de deixa a vida me levar mesmo por livre e “espontânea pressão” rs
bjs
Putz! Ótimo post! eu penso nisso direto!
Esse valor baixo que vc falou por acaso é esse?
Type of benefit: Retirement pension (at age 65)
Average monthly benefit (October 2007): $481.46
Maximum monthly benefit (2008): $884.58
Fonte: http://www1.servicecanada.gc.ca/en/isp/pub/factsheets/rates.shtml
É bem baixo mesmo… Exite um plano privado de previdência por ai ou vc pensa em quardar e investir por conta própria?
Uma outra dúvida, achei no mesmo site o Old Age Security (OAS). Seria um complemento do CPP?
Abraços!
Então GEan… eu sempre digo que deveríamos ter na escola 2 disciplinas
1- Economia pessoal
2- Como sonhar
Acho que as duas coisas seríamos pessoas mais realizadas. Aqui no Brasil não sonhamos muito porquê a nossa realidade é matar um leão por dia, portanto se vc estiver vivo amanhã dê-se por feliz.
Quando nos damos conta que se tivessemos guardado R$10,00 por mês desde a adolscência teríamos um dinheiro razoável nos damos conta da besteira que fizemos e o quão desinformado você era.
Sonhe, planeje…realize
Esse é um assunto que tb me peocupa. O Pedro eu eu ainda mantemos uma conta investimento e eu ainda tenho minha previdência privada no Brasil que não vê 1 centavo desde que vim pra cá.
Por via das d;uvidas quero manter uma estrada de mão dupla, ou seja, deixar um dinheirinho lá e outro aqui mas por enquanto não pesquisei como investir meu pouco dindim aqui no congelador. Talvez seja em previdência privada mas todo mundo me fala sobre ações…só de pensar no trabalho que dá eu fico com preguiça. Dinheiro eu gosto de ter, não de administrar e ter que ficar de olho na bolsa todo dia e infartar cada vez que ela cai não é comigo. Talvez eu no tenha vocação para fazer as verdinhas se multiplicarem.
Bjs
oi Gean,
Como disse a Paula, como imigrantes recem chegados – menos de 1 ano, a gente vai fazendo conforme a necessidade e tudo swe torna uma conquista no comeco. Porem, planejar eh preciso e como!! Vc esta certissimo em tracar seus objetivos e correr atras deles. Se nao alcanca-los, pelo menos podera dizer a si mesmo: tentei!!
Qto aa aposentadoria, pensamos em ter no Brasil e aqui. Penso que temos direito aa ela no Brasil, pois contribuimos com nosso trabalho por muuuiitos anos e podemos passar a contribuir agora, como contribuintes individuais…
abracos e boa semana
Paula: Eu concordo contigo porém uma coisa eu imagino que faria novamente: teria saído do Brasil com um pouco mais de conhecimento desse mercado financeiro. Mas aí é difícil pensar em mercado financeiro quando nossas finanças estão saindo sem emprego né? ó vida :)
Rafael: Sim, é tudo isso que você falou. Porém, os valores dependem de quanto você ganha! Porém, você também precisa levar em consideração que a esta altura do campeonato você não terá mais impostos, já terá uma renda complementar, coisas do tipo.
Simara: Eu quem o diga :) Mas estou colocando na cabeça do meu irmão mais novo que ainda há tempo e esperança. Se existe para ele, também existe para todos nós né?
Jeanne: Mesmo que ela não tenha visto um centavo desde que vocês vieram, os juros estão aumentando – podem ser poucos agora, mas ao longo prazo, você verá que foi o melhor investimento feito. Eu estou lendo bastante sobre esse assunto e em breve pretendo colocar aqui no blog minhas descobertas.
Cecília: Como seria possível essa contribuição individual?